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MARKET PERSPECTIVE · BRASIL
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Fintechs brasileiras e juros

A alta das fintechs brasileiras foi uma aposta em juros

As fintechs brasileiras subiram bem mais que o mercado depois do primeiro turno e seguiram em alta quando o índice parou. A eleição foi o gatilho; quem sustentou o movimento foi a curva de juros.

FDP
Franco Di PietroThe Payments Corner
October 16, 20263 min readLinkedIn

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O movimento

Na segunda-feira, 5 de outubro, o mercado brasileiro teve seu melhor dia desde 2020. O Ibovespa subiu 7,7% e fechou pela primeira vez acima dos 200 mil pontos, o dólar caiu 4% e o ETF do Brasil em Nova York subiu 12,5%. O gatilho foi o primeiro turno, em que Flávio Bolsonaro abriu 47 a 45 sobre Lula, contra pesquisas que davam Lula à frente.

O dado que importa para pagamentos fica mais claro em dólares, contra esse ETF. Naquele dia, a XP subiu 31%, PagSeguro e StoneCo 21% e o Inter 20%. O Nu subiu 13%, em linha com o ETF.

Depois o índice parou, e as fintechs não. Até sexta, 9 de outubro, o ETF ganhou mais 1%; a XP, 14%; o Inter, 17%; a StoneCo, 8%. Na semana, XP +50% e Inter +40%, contra 14% do ETF. A política explica a segunda-feira. Não explica o resto da semana.

A curva, não o candidato

Na mesma segunda-feira, a ponta longa da curva de juros caiu mais de um ponto percentual; o contrato de DI para janeiro de 2035 recuou 133 pontos-base, para cerca de 12,8%. O mercado leu a liderança e um Congresso mais à direita como caminho para ajuste fiscal e juros mais baixos, mais cedo.

Minha leitura é que as empresas brasileiras de pagamentos estão expostas a essa curva por três canais. O custo de captação acompanha a Selic, hoje em 13,75% depois de cinco cortes de 0,25 ponto a partir do pico de 15%. As carteiras de crédito, que respondem pela maior parte do crescimento, rendem com base na mesma taxa. E o valuation depende de lucros que estão a anos de distância, descontados por ela. A StoneCo já disse a investidores que cada 100 pontos-base de Selic valem algo entre R$ 200 milhões e R$ 250 milhões de lucro antes de impostos. Um movimento de um ponto na ponta longa reprecifica os três canais ao mesmo tempo.

O câmbio é um quarto canal: essas empresas faturam em reais e são negociadas em dólares.

A segunda semana

O rali precificou um resultado, e nesta semana as pesquisas o colocaram em dúvida. A Quaest, na quarta-feira, deu 51% a 49% dos votos válidos para Flávio; o Datafolha, na quinta, também 51% a 49%, contra 52% a 48% uma semana antes. Os dois são empate técnico. A aprovação rápida, no Senado, do fim da escala 6x1 foi lida como vitória da campanha de Lula.

O mercado devolveu parte do movimento. O Ibovespa caiu três pregões seguidos e fechou a quinta aos 204.324 pontos, 2,3% abaixo do recorde de sexta; o dólar voltou a R$ 5,09; o DI de janeiro de 2035 subiu 21 pontos-base na quinta, para 12,87%. As fintechs caíram mais. Da sexta até quarta, antes da queda de quinta, o Inter recuou 9%, a StoneCo 8%, o Nu 7% e a XP 5%, contra 2% do ETF.

É a mesma alavanca, no sentido contrário. Uma ação que sobe várias vezes mais que o índice quando a curva cai também cai várias vezes mais quando ela sobe.

O que precisa dar certo

Três coisas, nesta ordem. O segundo turno de 25 de outubro precisa sair como o mercado presumiu. O sinal fiscal que vier depois precisa ser crível o bastante para manter a curva onde ela chegou. E a Selic precisa acompanhar, o que, pelos números do próprio boletim Focus, é mais provável em 2027 do que em 2026.

Se as três se confirmarem, a diferença se justifica. Se a primeira falhar, ela se fecha como se abriu, em uma manhã. A segunda semana mostrou que basta a dúvida para começar.

O que observar

As pesquisas até 25 de outubro, os únicos números capazes de mexer na curva antes da votação. O dólar em relação aos R$ 5. E o Copom de 4 de novembro, dez dias depois do segundo turno: até lá, nada mudou na Selic, só a expectativa.

Onde empresas de pagamentos operam crédito financiado perto da taxa básica, suas ações são uma aposta em juros com cara de fintech. O Brasil mostrou como isso fica quando a curva se move, nos dois sentidos.

FDP

Franco Di Pietro

The Payments Corner

Mais de 30 anos em pagamentos, fintech, bancos e infraestrutura financeira. Perspectivas de nível operacional sobre os sistemas que movimentam o dinheiro.

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O autor trabalha na Euronet Worldwide, uma empresa de processamento para emissores de cartões. O autor pode deter valores mobiliários ou ativos mencionados no ecossistema do The Payments Corner. O conteúdo é fornecido apenas para fins informativos e editoriais e não deve ser considerado aconselhamento de investimento.

The author is employed at Euronet Worldwide, a card issuer processing company. The author may own securities or assets referenced across The Payments Corner ecosystem. Content is provided for informational and editorial purposes only and should not be considered investment advice.

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